"Não se diz uma palavra quando, de muitas formas nunca claras o suficiente para que os outros entendam, tudo já foi dito."
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quinta-feira, 5 de abril de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
"Você vai me abandonar - repetiu sem som, a boca movendo-se muito perto do fone -e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota desangue para manter-se viva. Você rasga devagar seu pulso com asunhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço,excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio noprato."
(Trecho de: A outra voz - Caio F.)
terça-feira, 6 de março de 2012
Pequenas Epifanias
(...) Antes
que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer
ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me
entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente
imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns
silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha
vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por
puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre
casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para
que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por
trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me
sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se
armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mau me aconteceria, tinha
certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os
olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e
suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah
você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos,
vagas promessas. (...)
Caio F.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
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