quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Uma tal de Carta Pública

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤSunshine,

ㅤㅤㅤㅤE te esperei ansiosamente está manhã pra poder ver essa tua pele que me faz render tudo o que há, me faz respirar esse cheiro que emana e entranha nas paredes do meu quarto quando você sai. Admiro-te sob a luz fraca, que transpassa o vidro da janela e a cortina, tua pele é incrivelmente excitante. A cama estava fria sem você, sem teus olhos e sem teus lábios. Estava tudo sorrateiramente vazio, até a sombra que malandrava na parede era sem nexo. Então me vens com esse sorriso, és sutil no toque e me abraças. Cuidas de mim. 
ㅤㅤㅤㅤMeus dedos estavam vazios faz tão pouco e logo se encheram de você, do seu corpo. E na tua curva fiz escorrego, nos teus olhos descobri o melhor dos esconderijos. Sobre o efeito do fogo que crepitava me deixei entorpecer. Nos labirintos mais fundos de ti vasculhei e achei a forma mais linda de você, achei enquanto a lente da minha câmera teimava em lutar pra não registrar esse seu sorriso, esse seu desconcerto. Depois deitei, sonhei, refleti: 'Talvez a câmera estivesse certa, algumas das memorias devem ser marcadas apenas para si.'
ㅤㅤㅤㅤE é essa tua beleza que me soa assustadora que eu temo. É não saber lidar com isso, assegurar isso. É o medo de nunca ser bom o bastante, de nunca beijar tão bem. O medo é que esse amor que transborda de mim não seja o suficiente, mesmo tu me falando tantas vezes que vais ser meu, és meu, fostes meu sempre. E sussurro no teu ouvido, apenas movimentos os lábios: Ama a mim e ao meu corpo, toma do meu e tomarei dos teus sabores.
ㅤㅤㅤㅤSob as estrelas tu me fazes sol na terra, que queima, arde e vive de erupções magnificentes. Faz com que eu vá de encontro com ninfas, que as minhas crenças sejam as mais reais. Um turbilhão de sentimentos. Tu és meu narrador e faz os sonhos mais sutis serem tão piamente concretos. E temo pelos contos de fadas, é verdade mesmo que eles são felizes para sempre? 
ㅤㅤㅤㅤE me tomas, me perdes. E logo tu que me tiras o medo e me abraça em meio à multidão pra poder gritar: Eu te amo. E se não sabes, te admiro apenas, silenciosamente, fervorosamente, para dizer: Eu te amo, pois transformastes meu efêmero em cordial amor, e me fizeste acreditar que há vida em mim e poderei queimar o quanto a tua lenha permitir. 
ㅤㅤㅤㅤTalvez você não saiba, talvez ninguém saiba, mas não quero mais nada além de você. Por quanto tempo puder, por quanto tempo der. Por essa eternidade toda, que não se mede, Sunshine...

ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ 
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Com carinho,

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ 
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤSeu amado

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Carta ao Desconhecido Principe


E remeto ao medo. Sim, isso tudo é um medo importuno que não consigo se quer segurar dentro de mim. Logo depois que ele chora, as minhas lágrimas caem e escorrem de encontro ao mar. Ela, que me olha tão atentamente, apenas se curva para todas as lágrimas guardar. Lágrimas de um filho não se mistura a imensidão, diz. E meus dedos calejados de tanto dor, agora acariciam o rosto dele com uma delicadeza imensa. O prometido. E as lágrimas dele se misturam ao mar, ela se nega a guardar.
Então vejo você príncipe, vejo você que com tanto poder nas mãos nunca soube o que fazer. Você que soprou no vento esse amor que lhe pertencia, que surtou e partiu ao meio o coração da minha pequena donzela. Mas veja! Veja apenas onde ela veio parar. Esses sãos os braços magrelos do bobo da corte, esses são os cabelos desgrenhados, o sorriso relevantemente tão cheio de dentes tortos e de um nariz tão anormalmente grande, esse é o rosto onde a beleza não se permite conceituar. Veja apenas onde ela veio se acolher.
A solidão é um prato que se come sempre, digo bobo, louco, furtivo. E foi assim que aprendi o valor das tão pequenas coisas. Veja só, você sabe mesmo o que é o amor? Você sabe mesmo o que se chama essa confusão de sentimentos que lhe habita agora, pequeno príncipe? Se você perdeu? Não, não estamos em um jogo. Ela não é um prêmio de consolação. Mas entenda, você o deixou ir como a carta de um baralho que estava ai em sua mão e até que um dia você permitiu que o vento carregasse-o.
Olha onde ele veio desbragar. Nos pés de quem agora dança entre armadilhas.
E tenho pena dos teus conceitos, das tuas loucuras, da tua insanidade. Clamo apenas para que a mãe dos mares acalme teu coração, te entregue um bom presente.  Na verdade, essa é minha ladainha mentirosa. No fundo, te desejo dor, morte, esfacelamento do coração. Mantenho-me nessa linha tênue, mas você vai arrumar um caminho longe do meu. Você vai arrumar uma nova donzela. Acredite, estou clamando por isso. Estou clamando para apenas que seu caminho se desencontre com meu, mas tome cuidado para não desaguar no mar... Ela não gosta de quem tira água dos olhos de seus filhos. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Toalhas de mesa rasgadas



Faz um sol tão forte lá fora. Digo, chove lá fora tão bruscamente. Minto, faz uma ventania tão forte. Sinto que é noite e esses são só desejos insanos. Pobre. Pobre criança. O desejo aflito consome cada parte de mim, enquanto sorrio vagamente ao sol. Me pego desejando uma festa grande, copos de plástico, cabra cega, maconha, prostitutas, bebidas e um bom indie rock pra animar as coisas na medida certa. Ver todos assim dançando e sorrindo, cantando e pulando. Apenas sentir lhes a felicidade brotar e queimar em chamas altas e balanceadas. Encantadoras.  
Eles são tão sorridentes. Perguntam a mim : “Você já viu a lua hoje?”, ainda estou em duvida se é dia ou noite. Devo ter bebido um gole dessas misturadas que o chefe fez. E olhe só, o chefe chegou e me abraçou, sorrio e demos voltas no eixo de nossos corpos. Ele sorria pra mim tão claramente. Vestiu sua fantasia, me fez vestir a minha e nos jogamos na piscina sem lembrar que os celulares estavam ainda aqui no bolso. Imbecil. Ele me grita o mesmo xingamento por oras, até me abraçar forte e desejar um beijo. Nego.
A noite parece ter acabado de começar, mas consulto o relógio e novamente já passa das dez da manhã. Grito correndo com a garrafa de vodca pra cima que tá na hora, tá na hora, tá na hora, tá na hora. E eles fazem fila, tomam seus comprimidos, fumam seus cigarros, tapam as bolas, somem sob as mesas. Bad trip o que essa menina, levanta a porra da bunda dessa cadeira e vem dançar. É a última, última, música. Pula, grita, a tua mãe tá chegando ai. Vamos lá eu sei que consegue.
E pisco três ou quatro vezes, parece que todos já se foram. Só sobrou uma mocinha ali. Tão delicada, tão imperfeitinha. O que ela faz mesmo aqui? Nem lembro de tê-la convidado. Sorrio e ela me devora. Sim, ela era uma maquina preparada ao ataque. Sussurrou-me que estava me desejando desde o natal de noventa e três e agora eu não iria escapar. Sob a pele da ovelha havia um leão. E devorou-me a noite inteira. Sem pudor.
Menina má. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Devaneios Trancafiados




... e tranquei o coração, com você dentro, joguei a chave fora. Ainda que sair?
E aguardo ansioso na porta, de pé. Sinto o cheiro do incenso que se debate e reluta contra o ar dentro dos aposentos vazios.  Teu ídolo toca na vitrola logo ali no canto da sala. O colchão está jogado na outra parede com lençóis limpos, almofadas novas. E ainda te espero de pé na porta, constando no relógio de bolso que já me atrasou dois minutos e meio. Não sei, mas a impaciência é grande quando os minutos se tornam horas . Isso sempre ocorre quando te espero, os segundos são demasiadamente longos e nossos momentos parecem tão sorrateiramente efêmeros.
Então não te demoras mais que três minutos de atraso, logo trás esse conforto para dentro de mim. Toda essa confusão. Faz-me tomar um gole, dois, das tuas bebidas mais fortes; teus sorrisos, tuas gargalhadas, teu toque, teus olhos que se debruçam sobre os meus e toma o meu folego com uma facilidade incrível. Consome o meu ser inteiro e respiro a tua pele e dela retiro a essência que preservo tão fundo em mim, tão guardado, para que todas as noites o sono seja leve, seja doce. Seja, até mesmo ele, teu.
Todas às vezes quero poder gravar a tua voz, quero poder escutar você me cantando, me retirando do serio, me forçando a rir com tantas crises de ciúmes consecutivas. Olho-te no fundo dos olhos e quero te sugar inteiro, te guarda em um pontinho, te preservar e te ninar todas as noites. Desejo o teu corpo quente desconcertando o meu, tuas provocações que me corroem em desejo.
Então chegas, nesta noite fria, e me olhas. Tanto tempo faz desde nosso ultimo encontro, mas sei exatamente o estado de cada poro da tua pele, dos teus pelos, do teu sorriso. E recosto a cabeça na porta pra poder te olhar. Quanto tempo faz desde que você chegou? Parecem horas, esses minutos que passamos aqui nos olhando. Selas nossos lábios.
Estou em casa.
Tomo as tuas mãos na minha, aconchego o teu corpo ao meu, que como em um encaixe perfeito de quebra-cabeça, se completa ao meu. Risonho, te faço rodar no ar, dançamos atentamente. Desfiz-nos das roupas, dos sapatos, das barbas e do sono. Dançamos e cantamos, você gira e sorri, me faz caretas e logo pinta com nossos corpos as paredes da sala, do quarto, da cozinha e os limpa no banheiro, em um banho demorado de espuma.
Devaneio.
Sorrio, balançando a cabeça vagarosamente. Me pego olhando pela janela os carros passarem na avenida, me pego desejando você de uma forma tão forte que sinto teu cheiro aqui impregnado nas minhas roupas de cama, na caminha camisa bufenta, nos meus dedos. Ainda consigo lembrar de cada momento desde a última vez que você veio me desejar bons sonhos. As paredes ainda estão impregnadas de ti, eu ainda estou. Que forte você, não? Tão impregnado aqui em mim, mesmo depois de tantos dias.
E continuo olhando, sentindo, sorrindo. Teu reflexo no espelho me abraçando, teus carinhos de boa noite, teu ninar e tua voz doce que rompe meus medos, me injeta força. Tão sorrateiramente me invades todas as vezes que me contas sobre teu dia, quando te irritas, quando escuto a mais linda de todas as risadas. E me tomas, me recrutas. Sou teu e apenas.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pitoresco



E te olho nos olhos. Fundo. Calmo. Sereno. Jogo-me dentro, profundo, no fundo dos teus olhos. Sinto tua pele, tão anormalmente mais quente que a minha, me tocar e me sussurrar esse amor inteiro que já gritas em um silêncio surdo. E tomo a tua mão nas minhas, tomo o teu corpo no meu. És meu, inteiramente, não te deixo repartir com mais ninguém. E te aperto contra meu corpo, te domo. Meu. E novamente me passa pela mente os medos de sempre. Quase choro. Quase soluço. É forte, é impossível de não pensar, mas logo quando você me sussurra que está tudo bem meus devaneios se vão. Tomo teu corpo no meu e caminho.
Meu sorriso é pouco, meu corpo ainda não reage tão bem. Sinto-me dormente. Você não entende, querido, mas isso é tão forte que até agora parece um sonho bom que logo vai ter fim, que logo vou acordar. Escuto as tuas músicas preferidas e tento não chorar, tento controlar a vontade louca de te ter por perto. A saudade já é tão forte, mesmo você tendo acabado de me beijar os lábios. Quero você aqui pra sempre, mas isso você já me prometeu. Sabe cumprir promessas?
Você entende o quanto ainda é estranho? Você entende que me joguei de um prédio alto de vários andares sem pestanejar? Você entende que os outros não me fazem sorrir enquanto volto no ônibus pensando em você, os outros não me fazem um bem, não me tiram medos, não me sussurram eu te amo apenas com a pele quente sobre a minha. Você entende? Você entende que vou de contra os meus princípios, contra a sociedade? Apenas por você.
Novamente sussurro calmo um eu te amo ao vento, para que dessa vez ele possa te entregar de forma a impregnar as tuas entranhas. De forma a te fazer entender que me perder em ti é desejo solido e não há outro alguém, nem mesmo ela rainha dos meus mares, que me faça te tirar de mim.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Despedidas




Chove lá fora. Acho que vou fechar a janela e abrir a porta. Fechar a janela pra ver se essa chuva para de invadir e escorrer pelos cantos da janela, louca pra me tocar. Vou abrir a portar pra ver se você chega logo, pra ver se me guarda em ti. Coloquei a vassoura virada de cabeça pra baixa por trás da porta pra ver se consigo mandar a chuva, que se joga aqui dentro, pra fora. Quero você dentro, pra aquecer meus pés. Beije-me os lábios. Dentro pra poder me sussurrar loucuras de amor.
E vejo o apartamento vazio. O edredom é companheiro de alma. A água ainda escorrer pelas veredas, entre as cerâmicas esverdeadas. Choro. Junto todas as águas. As quentes, minhas, as da torneira, as do chuveiro, as que a janela deixa entrar. Tudo estar aberto e escorrendo. Quero o frio, pra ver se lembro como é que teu corpo aquece o meu. Quero vento frio. Quero contradição.
Deito no chão já tão molhado. Agora deixo a água me tocar, me banho em mim, me banho nela. Jogo-a para todos os lados. E eu que não quis tê-la em mim, vejo como é bom esse frio que agora percorre a espinha. O cabelo respinga, goteja. Vomito se mistura. Não suporto o meu calor. O coração bate forte. Quente.
Tiro a vassoura de trás da porta. Você não vem. Estou acostumado. Não vou chorar. Vou aproveitar. Lavar a casa. Ver se coloco Marisa Monte pra tocar. Vou chorar. Resmungar. Criticar. Mas dessa vez vou lavar a alma e curar as feridas.

Vamos sair pra ver o sol




- Mas e se for inseguro?
- Seguro a tua mão
- E se..
- E se, e se. Deixe-os de lado, vem comigo.

Então te abraço forte. Sugo teus lábios nos meus. Tenho medo. Sinto dor. Teu olhos nos meus e um sussurro leve do vento contra mim. Ainda tenho medo de caminhar, meu coração bate acelerado e a voz falta quando escuto a tua. Quero-a grava para escutar o dia todo. Agora, depois, antes de dormir, enquanto estiver dormindo. É forte, esmaga por dentro. Quero você quente entre meus braços, lábios.
Contenho-me para não correr contra você. És tão o que tanto desejei, com frases e palavras, com olhar e lábios, com toque e conforto. És meu, tão meu, que ainda não consigo acreditar que posso te abraçar e te ninar, que posso te colocar pra dormir e te acariciar enquanto planejo teu futuro e meu passado. Nosso romance.
E sinto teu perfume que parece ter sido borrifado por todos os cantos da minha casa. Desejo-te aqui. Mesmo assim sem palavras, as que você faz o favor de tomar, quero o teu sorriso, teu toque. Quero você. E tenho.
E me vejo sem palavras, querido, para continuar...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Uma memória, Um devaneio




Promessas inevitáveis. Teus olhos que brilham, teu sorriso que amansa uma tourada inteira. Teu charme, teu ser, você. As ondas de vento batem forte contra nossos corpos que se confrontam na parede, única cumplice concreta. Sugo-te inteiramente pra mim, quero estar dentro de ti, ser teu e que sejas apenas meu. Aperto nossos corpos, quero mais. Quero sempre. Quero agora.
E logo me fazes promessas. De beijar os lábios, de juntar as escovas de dentes, de ser apenas meu. Choro já, mesmo antes de começar, por ter medo de que tudo isso seja apenas uma armadilha. Coisa de demônios travessos. Tenho medo de me quebrar inteiro. Sou precipitado, menino, você não entende, mas meu coração já acelera ao falar contigo. Os dedos tremem. Paixonite.
Quando as manhãs são frias penso em você me abraçando, quais as manhãs são quentes te imagino me levando pra tomar banho. Já tramei a nossa trama, deixei que tudo fosse consumado e agora vivo uma dor precipitada da partida. Já te vejo ir por aquela porta sem mais volta, temo por mim. Pelo coração frágil.
Mas que seja o de houver de ser. Seja meu, teu, nosso. Apenas seja. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Stay



Contar com a pele. Com a astrologia. Com a fome e a sede. Contar com a sorte. Depois chorar, querer lugar para enfiar a cabeça. É que esqueço que não tenho sorte no amor, nos romances. Esses são todos aperitivos da vida para a minha pobre solidão que merece descanso por sobre diversas vezes. E me engano sempre. Deve ser coisa da carência que sempre atinge seu ponto máximo depois que a solidão se vai. A solidão completa, no fundo. E novamente me derrubo, rastejo. Sou fraco ao ponto de ainda acreditar nas cartas de tarô. Pobre menino. Mas e que se faça a vida, que se faça o mundo. E não esperarei mais amores e sim aperitivos, esses virão e sem dó me aliviarei nestes. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Em uma tarde de Domingo




Com os olhos fechados te deixo me guiar, mesmo sabendo das topadas, dos buracos, por todo o mundo. Esse teu cheiro tão meu me deixa seguro, deixa a vontade de me abrigar na curva do teu corpo enquanto você grita no silêncio ou fala pelos cotovelos descontroladamente. Queria poder me aninhar em teu colo, te provocar sorrisos, te sussurrar eu te amo. Queria o teu ser pra mim.
E durante as noites de lua cheia me reviro no colchão, queria você aqui. Agora. Pra sempre. Teu cheiro de homem forte, teus lábios e línguas dissimulados.  Pensei esses dias em oferecer meu corpo a Exu depois ver umas oferendas para Iemanjá pra ver se você vem. Pra ver se te laço em mim por tempo pouco, tempo meu. Por segundos exatos de uma eternidade. Mas é tarde demais, é inexato demais. É falso.
Então enquanto me olhas assim, advertindo as minhas ações, tenho uma vontade de te sugar para dentro do meu submundo secreto em que nós dois somos reis soberanos. Em que você será meu e então entregarei a ti o que já te pertence. Entregar-te-ei amor, querido.  Todo o meu ser.
E depois de tantas noites te solicito apenas uma de embarque por entre os bosques, sendo abençoados pelas ninfas, dançando com os caboclos, revelas pra mim o não. Peço-te que seja meu no alinhamento de marte e jupiter, seja agora. Ou nunca. Talvez esteja. Seja. Viva. Mas não.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Menina-bonita-bordada-em-flor











“Menina bonita bordada de flor
Eu vi primeiro
Todo encanto dessa moça
Todo encanto dessa moça
(Marcelo Camelo)












Para Jessica do Vale


Ela vai assim caminhando com o cigarro na mão, que como incenso lhe permite misturar ao perfume um cheiro bom. Os cabelos aloirados esvoaçam no tempo enquanto o sorriso encantador permite que os batuques desse antigo Recife lhe rodeie para os pés descalços e o corpo malemolente dance e encante os viventes.
Entre tropeços, pois não para de dançar, ela se deixa rodear por esses boêmios amigos que sabem animar como ninguém. Esses boêmios ao qual escolheu a dedo cada um.
Ele está ali sentando esperando-a para aninharem os corpos. Sentado, admirando, sorrindo ao ver aquele leve sorriso na face dela. E neste fim de tarde de domingo ela apenas dança para ele, dança para o Chico da moeda e para si. As ruas desertas, pois tarde de domingo no antigo Recife costumam ser vazia – dependendo do seu conhecimento sobre a solidão    são despertadas pelos sussurros de seu corpo e pelo perfume que impregna eles. Queima, esvoaça e se desmancha no ar como incenso. Um último olá aos amigos e um último cigarro para a flor.
Desde um último instante nunca se vira tão maravilhada com o mundo. A mulher, que no fundo vai exalar sempre a essência de uma menina, sonhou com os passeios de skate, a abertura do baú e com os olhos do amado – amado Romeu rebelde.
 O vento lhe cobre de beijos e as ruas levam-na para longe de tudo. Lembrou que a sua paixão estava no pescoço e registou o vestido rodado, os pés descalço no chão, o batom vermelho, o mangue, as artes nas paredes e o pôr-do-sol que não há mais bonito que nesse tal de hellcife.
Como quem não quer nada, de um prédio tão próximo alguém sussurra: “Vai menina, te banha de mar e lama. Vai flor, me ensina a nadar.” E no Manguebeat ela se dispõe a girar, sorrir, cantar, fotografar. Entre lama e mar ela banha o desejo de apenas sorrir. Liberdade que lhe grita na mente do ser. Batuque de maracatu que ela dança e se liberta.
Essa noite não esperava dormir preenchida pelo que lhe suga a alma. Seus devaneios eram demasiados para que ele pudesse suprir. Nesta noite não havia vinho, rosas, chocolate e gruta molhada. Essa noite apenas cabia cigarros, cervejas, boêmios, sorrisos e fotografia. Além do Chico da moeda é claro.
Flor que recita nos ventos poesias e aos homens um desejo de lhe tomar com sua, entretanto, Julieta ama o Romeu. Pertence. Aninha. Deseja. Uma cerveja acalma os pés e uns braços sossegam a alma. Nada permanente.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Tarde de Outono









Estes são teus lábios aos meus. Lentamente que se tocam e sorriem. Teus olhos que me olham assim, ou quase não olham, que me deixam furtivo. Admiro-te assim vagamente, sentindo teu cabelo que esvoaça e o sol que nos queima a pele. Sentindo o vento que te adormece. E então te aninhas em mim, e te dou beijinhos, e você comprimi os nossos lábios e tenho o desejo de não tira-los dos meus. Suas mãos nas minhas são frágeis, são minhas. Suas mãos nas minhas são brincadeiras eternas, é você me olhando do jeito mais meigo e me sorrindo da forma mais doce. E novamente vens e me domas e me deixas sem ar, sem palavras. E vens e és minhas. Sou teu.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dez de Março



Não faz muito tempo que você chegou e deixou que o seu sorriso me fosse um bom dia. Parece que faz uma eternidade desses nossos flertes seguidos de algo sublime que não seguiu o caminho planejado. Sabe querido, ainda sinto você me ninando noite a dentro, enquanto o seu corpo me aquece freneticamente e seu peito me serve de travesseiro. Seus lábios me sussurraram juras de amor, enquanto tememos adormecer na minha cama, pois alguém pode nos flagrar apenas assim de mãos dadas e corpos unidos inocentemente. Você jurou que continuaria por aqui pra sempre. Lembro da tarde em que conversamos tanto e logo um silêncio acompanhou-nos, foram tantas as juras naquele dia. Você ainda balança quando te toco a pele, quando te abraço forte. Sei que ainda ficamos balançados quando nossos lábios se tocam, mas mesmo depois de tudo não parece que ontem estávamos apenas sentados, desconhecidos, sorrindo.

Agora lembro que o ontem nunca soube mesmo o que foi o amor. 

domingo, 29 de abril de 2012

Último Romance


Parecia que havia chovido. Não me recordo dessas gotas que banharam nossos corpos. O seu entre as minhas pernas, as tuas mãos me acariciando a nuca e meus lábios semiabertos junto aos teus. E consomes meu ar, suplico que tenhas dó. Logo sorri. Sorriso este que lhe brota a face pra me fazer esquecer que tu me enrolas em ti e depois faz brotar flores do meu peito. Tomo tuas mãos nas minhas e vamos caminhando. Eles gritam.
Enquanto a lua sorri, com aquele sorriso branco e largo, te abraço e te faço correr. Roubas-me sorrisos novamente só de me olhar assim de lado enquanto o teu cabelo chicoteia o vento. Assim, olhando a lua. Vou dançando, suplicando aos Orixás que nos deem os caminhos propícios. Ela, a mãe, nos banha quando as ondas batem nas muretas de pedra. Você corre pra longe, mas me deixo ser banhado.
Vamos assim então investigando um ao outro. Entre perguntas e rabiscos não entendo o que é isso em ti que me toma pelo braço e faz com que meus pensamentos sejam teus por toda a noite. Deve ser esse teu olhar que me faz sorrir, pensar, acelera meu coração e ainda me deixa com tremedeira nas pernas. Deve ser teus lábios que apenas me sussurram, mas mesmo assim me adoçam e queimam o corpo inteiro. Confundes.
Você vê aquele menino logo ali tocando violão e me faz sentar pra escutar. É a nossa música que ele toca, ou a partir daquele dia seria. Sento e te aninhas em mim. Faz-nos um embrulho e sussurras ao meu ouvido. :
- E só de te ver eu penso em trocar a minha TV num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira.
E lhe respondo:
-  Que pra nós dois sair de casa já é se aventurar.  

"Let me give your heart a break "

Silêncio do Mar



E me pego perdendo uns sorrisos só de te olhar.  Encantas-me e não me pergunte qual é destes teus encantos que me fazem tão teu. Durmo em teus braços e me deixo sentir o cheiro da tua pele me inundar. Sinto tuas mãos nas minhas e teu coração que toca em conjunto com o meu. Nossos lábios que de relance se tocam sussurram a nossa mais nova música. Aninha-te em mim e penso que poderíamos ser um assim, sentindo a tua respiração. Em teus olhos me perco, em teus braços me apego e novamente me vejo não sabendo o que falar. Novamente respirar o ar e ser banhado por Iemanjá. Voltamos ao mesmo cenário, mas desta vez você me sorri e me compenetra de forma incontrolável. Negas um beijo, mas beija-me sempre. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Hey Lolita Hey


Os lábios já não possuem gosto, perderam aquele sabor de brilho labial de melancia logo depois do fim de outono. Se o brilho acabou? Estou mais satisfeito em acreditar que ela bem resolveu parar de usa-lo. Mulher já não lhe cabe ser nem mesmo em curtos devaneios. Agora se vestia de jovem, mas não tinha perfume caro e batom vermelho, era sabor de sabonete ao corpo e de boca nos lábios. Resolveu não ultrapassar as verdades de si.
E dois dias passaram deixando seu corpo cheio da sua própria essência. Esqueceu seus personagens, anseios, egos e desejos. Não havia salto alto e vestido tubinho vermelho. Tornou-se o puro. Comum em si sãos os olhares das vizinhas que não sabem dizer o que aconteceu com a dama do quatrocentos e dois. Houve boatos de que ela apaixonou o coração por um moço desses que deseja apenas uma noite de sexo. “Logo ela tão vivida?” repetia a velha rabugenta do cento e um, aninhando o buldogue.
Poucos sabem que não se doma os sentimentos. Mesmo ela, a sorridente senhora do quatrocentos e dois. Depois de tanto derrubar os homens feito dominó estava perdidamente sendo uma das peças de dominó de Romeu. A culpa era daquela maldita vontade de deixar que ele a beijasse os lábios de ponche de fruta e tocasse as curvas bronzeadas.
Noite passada fora abordada. Em vez de fazer todos caírem em seus jogos ela que estava caída e perdidamente apaixonada. E ele levou-a para o topo de um prédio, para as drogas de um bairro pobre, para o subúrbio do sexo e então jogou-a do prédio de quarenta andares. Fora o que pensou. Tomou uns goles da pequena, rolou-a e depois assistiu o pôr-do-sol aquecendo seu corpo ao dela em estocadas fortes e um olhar bruto.
Ela se perdeu. Nunca havia se encontrado com um bom jogador. Ele lhe domou e transformou a dama do quatrocentos e dois em uma jovem que não há abrigo que lhe segure. A jovem que parte de trem pra nunca mais voltar. Ele roubou-na de si. Mas saiba ela que precisava de um amor de verdade para cumprir o ditado da vida: “Ninguém passa nessa vida sem amar”.
E desde então não se reconhece a dama do quatrocentos e dois.

"I don't care what they say about me, because I know that it's l.o.v.e"

sábado, 21 de abril de 2012

Little Girl



A lua nos ilumina aqui sentados. Vejo-te assim, pelo relance de um sorriso, guardando em mim um beijo doce e um sussurro quente dos lábios que não exalam som algum. Faço-nos um único olhar e me debruço em ti, canto e conservo os versos de Caio Fernando pra que em conjunto possamos recita-los. Não há promessa de outra noite, de vida eterna, filhos, amores e qualquer outra coisa. É o nosso sentido unido apenas em olhares, em dedos entrelaçados e fugas fugitivas e escorregadias. Gosto do silêncio que abrigo, gosto do teu modo de compreender que não há o que ser dito e apenas o que ser vivido. São teus lábios doces, o teu corpo no meu e os nossos aninhados. É a compreensão que tens em mim. É a respiração que consumo de ti. Mulher, menina, criança.
Beija o eterno nosso, consome o que o tempo deixar a ser consumido. Seja minha e juro que levarei a tua bagagem...

Ridiculously Romantic



Não sei, mas ontem parece que sorri de verdade. Relembro ao certo você ali me olhando enquanto eu corria entre as árvores e dançava ao som das flautas e pandeiro das ninfas. O corpo despido de vergonha e o canto inundado de ilusões faziam de mim o ser mais feliz entre os bípedes. Consegui atravessar essa linha tênue que me deixa indeciso em querer te conquistar ou continuar deixando você de lado. Sabe querido, percebo, agora enquanto danço, que não há nada que eu possa escolher. Agora você me mostra esses teus olhos sorridentes, mas não são minhas causas eles, que sou livre de mim. Que não há um eu especifico, que nem todas as perguntas tem necessidade de uma resposta, que vivemos e apenas vivemos. Sorria comigo, dance e depois me deixe te levar para casa. Faça-me cantar e escrever enquanto eu posso, dê-me a mim mesmo. Sei que podes, sei que podemos. Beije-me a testa.

domingo, 15 de abril de 2012

Sem caminho


E ela se perdeu. Entre si, entre os bosques, entre olhares. Ela parece que não é mais quem um dia foi, pois não entende quem quer que seja. Aqui olhando de fora ela parece que não mudou nada, mas em si a dança soa diferente, tal como a música. Os monstros se foram e agora só resta olhar no espelho, só resta suprir as necessidades da forma certa. Mas onde está a coragem? E não cansa de dançar, pois dançar é o melhor meio de transborda a alma. E seus gritos nem são ouvidos enquanto ela dança, nem seus pulsos que sangram aparentam estar cortados. Vejo que de fora tudo parece inteiro, tudo soa normal. Mas ela se matou, ela morreu e não faz muito tempo.

"and I'll do anything to make you stay"

sábado, 14 de abril de 2012


- Acho que deve vir para a minha casa, morar comigo.

(Silêncio)

- Quer uma estranha, como eu?
- Sim, muito.
- Sabe cozinhar?
- Sei.

(Risos)

- Eu adoraria.

(Abraço)

- Vou ter que matar você.

- Por quê?

- Estou me apaixonando.

Oferenda ao Marinheiro


Os sussurros dos lábios teus que confessa aos meus a insanidade dos nossos corpos intrigados no querer. Vertigem que nos toma pela mão, enquanto me afogo dentre estes desejos de corpo que pede, que clama e enfim derrama e desagua ao mar. E tu que navegas assim marinheiro, tão firme, manobrando no mar em tempestade me olhas como quem tanto espera encontrar alivio e força pra sumir com toda essa dor indevida. E estou aqui pronto para suprir tuas necessidades, te aquecer e aconchegar-te a mim. Ela me banha, filho indefeso, para te encontrar e então derramar esta minha oferenda aos teus pés. Sou guiado assim pelo mar até te entregar a parte de mim, que em sacrifício, vens buscar. 



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Little Boy


Lembro do meu indicador assim, silenciando teus lábios enquanto meus olhos e os teus são soberanos. Pude desejar que neste mesmo momento pudéssemos selar estes lábios que tão incessavelmente teimam em querer um ao outro, mas somos tolos ainda, somos medrosos. E enquanto escuto de fundo aquela nossa canção tocar fecho os olhos e recosto minha testa em seu ombro, seus dedos são assim doados a minha cintura e podemos dançar vagarosamente no corredor vazio. A tua camisa agora é minha, o teu calor é o que me aquece enquanto a chuva banha tudo ao nosso redor e o frio natural congela muito mais que o seu coração. A dança é melancólica como nossos nós na garganta, como esse meu olhar morto. Vamos assim sendo banhados com a chuva logo que você me leva de encontro ao mar, de encontro a si. E mergulho na curva do teu pescoço para não perder teu cheiro e me sufocas em si. Então tomas as minhas mãos nas tuas, és meu. 





- Não solta a minha mão
- Eu sempre estarei segurando-a

terça-feira, 10 de abril de 2012

Ela que resolveu sorrir




E nas noites mais quentes de verão mal lembro destes meus devaneios sobre você que me abraça, que me tira do chão, que me sussurra amor ao pé do ouvido, que me transforma no melhor que sou por simplesmente me fazer ser quem sou. Entende?
Parece que o outono chegou. Disseram-me que é apenas um aviso. Essa coisa de “lembra do calor de outro corpo” e “ vê se não fica se aquecendo apenas com as cobertas” pra ver se arrumo coragem de te procurar neste inverno. Os deuses estão cansados de me verem choramingar pelos cantos. Estão cansados de me ver caminhando sozinha. Eles já não suportam a minha companhia. Deram-me coragem.
Não, desisti dos livros de Caio, deixei de escutar as músicas de Cazuza e parei de tentar sorrir ao pensar em você quando escuto Tiê. Parece que estou me desfazendo. Lembro do verão e logo o motor do carro já está roncando e a pobre garota vai partindo pra mais um inverno nebuloso.
Deixei os amuletos em casa, as cartas naquele velho baú. Deixei a sua camisa sobre a cama, agora ela tem o meu cheiro. Deixei uns cds por ali e espero que não se esqueça de escutar as músicas que estão marcadas na capa. Os deuses me lembraram, trazendo o outono, que já passou da hora de apenas sentar no parapeito, tomando um chocolate quente e te esperando. Chegou a hora de correr e sentir o vento gélido cortar a face. Chegou a hora de ir te buscar, meu monocromático amor. 

sábado, 7 de abril de 2012

Soneto Madrugativo



Gosto de homens, dos mais novos aos mais velhos. Dos suculentos aos intrigantes. Gosto desses homens cheios de um segredo e os esparramados. Gosto dos novos pelo olhar, gosto dos mais vividos pelos lábios. Gosto desses ratos de academia e dos viciados em computador. De uns baixos pra poder me debruçar melhor, de uns inteligentes pra me dizer como usar a camisinha. Dos de óculos e os com sardas. Dos dançarinos da noite e dos trabalhadores da tarde inteira. E entre uns e outros vou me derramando pelas ruas. Os negros, os magros, os ruivos, os héteros, os gays, as travestis e até mesmo esses gordos donos de bar. Gosto mesmo é de homem, pra mergulhar em seus lábios e perfumar as suas curvas com o perfume do nosso confronto. Gosto é de saborear o seu sumo e lhes presentear com um gozo. Gosto é desses homens e do que eles podem me dar sem perceber. Gosto é de homens, de homens. 

Presente-imperfeito-dos-sujeitos


“ I was waving on the train platform crying
'cause i know i'm never comin' back.”
-       Lana del Rey


Soube, minha mãe sempre me contou: “Não confie, querido”. Não sei a que ponto chegamos pra vocês, mas vejo que o fim parece estar mais próximo do que imaginávamos. Foram lindas as juras, os momentos quiçá os melhores, entretanto, chega um momento em que tudo precisa seguir. Sempre soube, por mais que seja difícil aceitar, tudo um dia vai partir. Até mesmo nós que somos um eterno conjunto, entre trancos e barrancos, entre o indefeso e a miss popular.
E enquanto olho nossos rascunhos naquele velho caderninho de capa dura e folhas amareladas, sinto o amor que se esvaio, o amor que ainda existe, mas não nos une. Lembro agora que vocês me foram apenas um motivo pra continuar aqui, olhando pra essas paredes rabiscadas, pra me demorar um pouco mais no adeus. Deram-me uma virgula e souberam bem que eu nunca saberia usar, vocês sabiam.
Foi uma pausa longa. Agora sigo, preciso crescer. Estou perdido e não estão mais aqui. Vocês se foram primeiro e nem se quer percebi. Deram-me uma virgula e me abandonaram no meio dela.
Agora parece que acabou, que precisamos seguir. Vamos fumar esse último cigarro nosso, vamos rápido, pois meu trem chegou e não suporto mais continuar nessa plataforma. Não chorem, acabou. Apenas aceitem.
Cuidem-se.



"Recordando de um todo,
fomos e somos e nunca mais.
E seremos outros.
E faremos novos amores."

(Adeus, então, adeus - Thomaz Homero)


quinta-feira, 5 de abril de 2012


"Não se diz uma palavra quando, de muitas formas nunca claras o suficiente para que os outros entendam, tudo já foi dito."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Momentânea dor



E novamente venho com esse meus clichês de me debruçar sobre teus olhos, perder-me em tuas curvas, sentir o teu perfume, mas nada de me eternizar em palavras de frente a ti. Vendo agora onde chegamos percebo que as minhas palavras são vagas, meus assuntos dispersos, meu sentimento não é valido de formas tão tolas e tão ambíguas como os demonstro. Sou homem fajuto que não sei tratar de palavras no calor do momento ou até mesmo no frio deles, preciso de tempo e esforço pra falar dessas minhas desilusões ou até mesmo dessas minhas emoções vividas em carne e osso, em língua e dentes, em mim e você. Sou fajuto ao ponto de não estar sempre com adjetivos prontos, com a similaridade das palavras na ponta da língua. Sou viajante de mim, amor, e não sei caminhar por essas avenidas da vida. Sempre disse isso, pois sempre soube, sempre falei disso, mas nunca me escutaste. Solamento



domingo, 1 de abril de 2012

Diário de uma Alienígena


E enquanto o corpo se mantem inerte sobre a cama a mente vai longe, passando da casa do vizinho até Londres ou Paris. Tudo é culpa dessa vontade, dessa fome de mundo. Nada aqui parece ter cor, tudo é meio monocromático e cheio de um tédio tão importunante que até meus ouvidos podem escutar esse preto e branco. E olhe onde vim parar, nesse fim de cidade pequena onde Barely Legal e Blue jeans são músicas descomunais. Nem os gatos daqui tem aquele encanto nos olhos, no ronronado. Vejo-me aqui então perdida nesse nojo que é se embriagar pelas ruas, se jogar na calçada e depois rir pelos próximos dois dias enquanto se bebe mais um pouco – se, e somente se, não houver algo mais engraçado nos bêbados durante esses dois dias seguidos. Minha pessoa não sai da cama, é tanto desmotivo que os motivos pra levantar se tornam apenas sonhos impossíveis de se realizarem. E tudo é rotina, e nada é colorido, e tudo é pouca merda e me esconderam o penico cheio. Amém. 

sexta-feira, 30 de março de 2012


Born to Die


E não sei onde colocar meu dedos quando você vai chegando perto. A vontade é de encaixa-los exatamente na curva da tua cintura ou na do pescoço, alisar as tuas costas e fazer estes teus olhos debruçarem sobre os meus descobrindo meus mais insanos segredos. Enquanto você vai chegando e o seu perfume me inundando vou perdendo a postura e a pouca compostura que me resta. Tu, que me embaças, não entendes esse efeito dos teus olhos sobre os meus. Olhos estes tão traiçoeiros que me condenam aos teus encatos, que me condena a este teu lábio, que confesso, é tão aclamado pelos meus. E não só sonho com teu corpo sendo nosso, sonho com a tua camisa grande me cobrindo numa noite fria, com teu sussurro ao pé do meu ouvido. Nossas brigas, tuas birras, nosso sorriso e silêncio também são imaginadas. Vou assim, desejando teu abraço e o conforto que me afundo. Tudo antes de você vir e então destruir os planos que tão bem foram calculados. E não sei por onde caminhar, mal penso no que falar. E sorrateiramente nunca serei desejo e eterno teu. Querido.

segunda-feira, 26 de março de 2012





"Você vai me abandonar - repetiu sem som, a boca movendo-se muito perto do fone -e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota desangue para manter-se viva. Você rasga devagar seu pulso com asunhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço,excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio noprato." 

(Trecho de: A outra voz - Caio F.)

domingo, 25 de março de 2012

Balada de Gisberta





Perdi-me do nome, 
Hoje podes chamar-me de tua, 
Dancei em palácios, 
Hoje danço na rua. 


Vesti-me de sonhos, 
Hoje visto as bermas da estrada, 
De que serve voltar
Quando se volta p'ró nada. 


Eu não sei se um Anjo me chama, 
Eu não sei dos mil homens na cama 
E o céu não pode esperar.

Eu não sei se a noite me leva, 
Eu não ouço o meu grito na treva, 
E o fim vem-me buscar.


Sambei na avenida, 
No escuro fui porta-estandarte, 
Apagaram-se as luzes, 
É o futuro que parte.


Escrevi o desejo, 
Corações que já esqueci, 
Com sedas matei
E com ferros morri. 


Eu não sei se um Anjo me chama, 
Eu não sei dos mil homens na cama 
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva, 
Eu não ouço o meu grito na treva, 
E o fim vem-me buscar.


Trouxe pouco,
Levo menos, 
E a distância até ao fundo é tão pequena, 
No fundo, é tão pequena, 
A queda.
E o amor é tão longe, 
O amor é tão longe…

E a dor é tão perto. 

 (Pedro Abrunhosa)

sábado, 24 de março de 2012


Solidão em Par


Enquanto o mundo parecia girar você estava ali. Sempre esteve. Criou em mim o pulso firme, o sorriso amargurado, a caminhada sonolenta e demasiadamente cansativa – aparentemente. E você sempre esteve ali. No sutil rumo da caminhada. Nos livros velhos e gastos. Na roupa. No cheiro de mofo e enfim, em tudo. Enquanto eu me debruçava nos livros e voltava aos estudos você estava ali, sentado na minha poltrona tomando café, de pernas cruzadas, resmungando sobre o mundo e quiçá tocando violão - o que você não fazia muito bem.
No dia que surtávamos era tudo diferente. Você me jogava no sofá, eu te mordia o peito e depois dava beijinhos pra passar, você me arranhava e depois voltamos a nossas posições de sempre. Eu na mesa sentado e debruçado sobre os livros e você na poltrona, ou apenas nós dois no parapeito da janela tomando sorvete com pedaços de morango. Sutilmente éramos felizes.
Mordo sutilmente o lábio. Vejo-te passar em frente à TV no meio do meu programa predileto. Você chega tarde e eu demasiadamente cedo. Tomo dois goles de refrigerante, você ama café. Como bolo de chocolate e você prefere devorar a nicotina de seus cigarros. E sobre todas as coisas somos um silêncio abrupto mesmo nas horas mais gritante de nós mesmo. Somos silêncio após silêncio.
O cachorro da vizinha costuma latir sempre que ela sai e você vai lá dar comida por baixo da porta enquanto eu levo meus manuscritos para a editora. É, você fala mais com o cachorro do que comigo, mas não faz mal. Estou bem assim, estou bem aqui sendo um vazio em conjunto. Sendo dois.

terça-feira, 20 de março de 2012




— Pra onde você vai?
— Andar.
— Vai não, volta. Senta aqui.

(Silêncio)

— O céu está...
— ... lindo.
— Ai, faz tempo que não...
— O que?
— Durmo bem.
— Eu também.
— Cansado?
 — Hã? 
— Nada.

(Dedos entrelaçados)

— Me beija.
— O que disse?
— Oi? 

(Silêncio)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Enamorando




Disseram que me havia um brilho no olhar diferente noite dessas. Pergunto-me se não foi por ter corrido tanto ontem pela noite naquela praia deserta enquanto você me beijava. Não sei, mal entendo de brilhos e sorrisos, mas quem sabe tenha sido esse seu sussurro ao pé do meu ouvido que me fez crer no inacreditável. Possa ter sido apenas Iemanjá, o vento do mar, o silêncio e a solidão do mar. Quem sabe não tenha sido nada.

Não me olhe assim, nós bem sabemos que sou mal entendedor de poesias felizes. Acostumei o meu ser com a solidão divina, com o pouco de suspiros alegres. Agora me veja aqui perdido sem lhes saber o que responder. Tudo isso graças a esse brilho tolo. Graças a essas ilusões tolas. Tudo culpa sua.